Biografia
Eduardo Kobra é um expoente da neo-vanguarda paulista. Seu talento brotou por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo, com o pixo e o graffiti, e se espalhou pela cidade. Com os desdobramentos que a arte urbana ganhou em São Paulo, Kobra derivou – com o Studio Kobra, criado nos anos 90 - para um muralismo original, inspirado especialmente nos pintores mexicanos, e no design do norte americano Eric Grohe. Ele se beneficiou das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista para dar continuidade ao seu trabalho.
Nesse caminho o artista desenvolveu o projeto “Muros da memória”, que busca transformar a paisagem urbana por meio da arte e resgatar a memória da cidade. O projeto é síntese do seu modo peculiar de criar, através do qual não apenas pinta, mas também adere, interfere e sobrepõe cenas e personagens das primeiras décadas do século XX. É uma junção de nostalgia e modernidade, por meio de pinturas cenográficas, algumas monumentais, criando através delas portais para saudosos momentos da cidade. O maior destes murais, que mede 1000 m², foi realizado em 2009 na Avenida 23 de Maio, em comemoração ao aniversário de São Paulo.
Kobra desenvolve obras que misturam o traço do grafite rico em sombra, luz e brilho O resultado são murais tridimensionais que permitem ao público interagir com a obra. A idéia é estabelecer uma comparação entre o ar romântico e o clima de nostalgia, com a constante agitação de hoje. Além de inúmeros trabalhos em São Paulo e no interior, Kobra produziu murais em Brasília, Rio de Janeiro, Belém do Pará e Minas Gerais. Em julho de 2010, o artista vai para Londres iniciar seu primeiro mural internacional.
Paralelamente, Kobra desenvolve sua produção pessoal com exposições dentro e fora do Brasil . Em dezembro de 2009, participou do “Salon National Des Beaux-Arts 2009”, exposição que acontece há 148 anos no Museu do Louvre, em Paris. Além de fazer pesquisas de materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos - muito difundida por nomes internacionais, como Julian Beever e Kurt Wenner -, à convite da prefeitura de São Paulo, o artista realizou na praça patriarca a primeira pintura em 3D sob pavimento do Brasil .
A técnica anamórfica consiste em "enganar os olhos"; ela pode parecer distorcida em certo ângulo, mas ao ver do ângulo correto, estipulado pelo artista, ela se torna 3D apresentando uma incrível variação de profundidade e realismo.
Inquieto e irrefreável em suas buscas criativas, Kobra é hoje um fenômeno da arte brasileira da neo-vanguarda que não se permite ignorar. |